Polícia faz segunda reconstituição do caso Amarildo


Equipes da Divisão de Homicídios (DH) realizam na noite deste domingo a segunda reconstituição do caso do desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, visto pela última vez na noite de 14 de julho sendo levado para a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha. Desta vez, o trabalho busca refazer o trajeto da viatura que levou Amarildo até a sede da UPP naquela noite e depois circulou por outras áreas de cidade, como a Zona Portuária. O caminho seguido pelo carro foi revelado pelo rádio que funcionava no veículo.
A reconstituição começou às 20h20m, quando o carro da UPP deixou o Largo do Boiadeiro, na Rocinha, sendo conduzido por um policial militar (cuja identidade não foi revelada), acompanhado por um perito. Um representante da Delegacia de Polícia Judiciária Militar também participa dos trabalhos. Atrás da viatura, seguem outros carros da polícia. Devido ao trânsito ruim, os veículos trafegam com as sirenes ligadas. O trajeto começou pela Autoestrada Lagoa-Barra. Chegando à Lagoa, o comboio pegou a Avenida Borges de Medeiros, rumou para o Túnel Rebouças e seguiu pelo Elevado Paulo de Frontin para chegar à rodoviária, onde foi feita uma primeira parada. De lá, seguiram pela Avenida Rodrigues Alves por cerca de dois quilômetros, retornaram e voltaram para a rodoviária.Depois, seguiram pela Avenida Rodrigues Alves novamente e pegaram a Rua Cordeiro da Graça para chegar ao Santo Cristo. Depois de rodar por ali, voltaram à rodoviária mais uma vez e fizeram uma segunda parada. Pouco depois, a viatura entrou na Rua Cordeiro da Graça, na Rua da Gamboa e depois no viaduto de acesso à Linha Vermelha. De lá, seguiu para São Cristóvão e, em seguida, voltou para a Avenida Francisco Bicalho, de onde rumou para o Rebouças, voltando para a Zona Sul. Às 21h15m, o comboio pegou um retorno na Borges de Medeiros, na Lagoa, e voltou a entrar no Rebouças, no sentido Centro. A reconstituição só deveria terminar na Rocinha. Segundo o registro do rádio da viatura, na noite do sumiço de Amarildo, a última parada do carro da UPP antes do retorno à comunidade foi o 23º BPM (Leblon).
Registro mostrou idas e vindas
De acordo com o trajeto revelado pelo rádio, depois de deixar a Rocinha a viatura circulou por 47 minutos na Zona Portuária e às 20h37m retornou para a Zona Sul. Na Lagoa, deu meia-volta e seguiu para o Centro. Uma hora e 12 minutos depois de ter deixado a Rocinha, o carro parou pela primeira vez, no Batalhão de Choque, por sete minutos. Ao sair do batalhão, o veículo voltou para a Zona Sul pelo Túnel Rebouças, mas pegou um retorno e seguiu para a Zona Norte. O veículo permaneceu por dois minutos nas proximidades do Hospital Central da Polícia Militar e do Morro de São Carlos, no Estácio. Depois disso, parou no batalhão do Leblon. Um segundo PM, no caso uma mulher, ainda iria participar da reconstituição de ontem. O delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa, não quis revelar os nomes dos dois policiais, mas disse que considera os trabalhos imprescindíveis para o esclarecimento do caso: — Após concluirmos a reconstituição de hoje, vou pedir aos peritos a máxima urgência na entrega dos resultados. Tenho uma esperança muito grande de que vamos conseguir resolver esse caso o mais rápido possível. No dia 1º deste mês, foi realizada a primeira reconstituição para esclarecer o sumiço do pedreiro, na Rocinha, que durou 16 horas. Entre os policiais chamados para participar, estavam os soldados Vitor Vinícius da Silva, Douglas Roberto Vital Machado, Jorge Luís Gonçalves e Marlon Campos Dias, que abordaram Amarildo no dia de seu desaparecimento.
O desaparecimento
A história do desaparecimento que entrou na pauta dos protestos pela cidade, com a pergunta “Onde está Amarildo?”, começou em 14 de julho. Foi nesse dia que o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, de 42 anos, foi levado por policiais à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha “para verificação”. Nunca mais foi visto. Sua família conta que ele foi abordado na porta de casa, logo depois de voltar de uma pescaria com um primo. Nenhuma das câmeras próximas à UPP registrou a saída de Amarildo, mas há imagens dele entrando num carro da polícia para ser levado para a averiguação. Seu sumiço provocou várias manifestações dos moradores da comunidade e teve repercussão internacional. Nas investigações, surgiu uma guerra de versões entre dois delegados envolvidos no caso. Ex-delegado adjunto da 15ª DP (Gávea), Ruchester Marreiros sugeriu ligação de Amarildo e de sua mulher, Elizabete, com traficantes da Rocinha. Sua atitude provocou reação do titular da delegacia, Orlando Zaccone, que afirmou que o relatório de Marreiros teria “beirado a ficção”. Dezenas de policiais, familiares e moradores foram ouvidos, mas ainda não há respostas para o caso. (O Globo)
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